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Claudia Tajes: Carregando as malas | Assuntos de Mulher | Dicas, Truques , Cabelos e Maquiagens

Claudia Tajes: Carregando as malas





Mala arrumada com cuidado, roupas bem dobradinhas para não amassar, sapatos por baixo e em sacos para não sujar nada. Foram dias pensando no que levar para não pesar demais nem faltar o essencial. Bem verdade que, na hora de arrumar a mala, tudo parece essencial. E se chover, e se esfriar, e se fizer 50 graus? Enfim, a mala foi fechada, despachada, recolhida na esteira, paletada até o quarto e agora, aberta em cima da cama, o que se vê? O frasco de xampu, que entrou na última hora, abriu e empapou de gosma verde a camisa branca, a calça clarinha, o vestido que veio tem da lavanderia e até a carteira com os xerox dos documentos vai que roubem os originais.

O pior é que, na hora de botar o xampu solto entre as roupas, e depois de dar aquela conferida para ter certeza de que a tampa estava bem fechada, algum mecanismo interno de prevenção (bom senso?) até cogitou a hipótese de buscar um saco plástico para evitar acidentes. Mas então a pressa, a preguiça ou a confiança no poder vedatório das tampas venceram. Quem nunca?

Arrumar a mala na medida é uma ciência que apenas os mais afortunados dominam. Onde colocar cada coisa. Como proteger o que deve ser protegido. De que jeito desapegar do que não será útil. Não é tarefa simples. Filhas adolescentes vão para o final de semana levando roupas para um ano inteiro. Filhos adolescentes vão para um ano inteiro levando roupas para um fim de semana. Com bebê a bordo, então, aí já não é mala, é mudança completa. É preciso prever todos os vazamentos de fralda, os vômitos ocasionais, as dores de barriga, de ouvido e dos dentes nascendo, as variações de temperatura, alguma alergia oportunista. Sem esquecer que o pequeno só dorme se for embalado por horas na cadeira de balanço #8211; que vai junto. E ainda tem o carrinho, o chiqueirinho e os brinquedinhos de estimação. Ter um bebê mantém qualquer um em forma sem dieta, sem esforço e sem academia, só carregando as tralhas.

Por todas as razões acima, acontece bastante de a mala ser menor do que o . Já que poucos sabem guardar as coisas de um jeito que aproveite o pouco espaço, em geral ela não fecha depois de pronta. É comum que um ou mais integrantes da família tenham que sentar na bagagem enquanto os demais suam para fechar as travas. Tirar um pé de tênis número 43 resolve, mas não adianta. Cortar os produtos de higiene ajuda, mas não é aconselhável. Levar uma segunda mala soluciona, mas...

aí quem corre o risco de não fechar é o bolso.

Até há pouco, as pessoas entravam nos aeroportos com montanhas de malas para despachar. Na época dos rebanhos com sobrepeso, iam com malas vazias para rechear de compras nas viagens ao Exterior. Eis um hábito em baixa, tanto pela diminuição do poder da compra quanto pela ganância das companhias. Com as bênçãos da Anac, as empresas aéreas resolveram cobrar pelos volumes que os clientes despacham. Não bastasse o preço da passagem, agora se paga para que a mala vá junto. É isso ou levar apenas a bagagem de mão, o que nem sempre é possível. Fazendo o check in, vi o desespero dos incautos diante das novas regras. Tarifa para mala de 23 quilos no balcão: R$ 120. Se exceder esse peso, mais R$ 12 por quilo. Se não pagar, a mala fica. Pelo menos tem alguém ganhando dinheiro na crise. Obviamente, não são os passageiros.

E as malas extraviadas? Tem desamparo maior que esperar por uma mala que não chega? Já me aconteceu de ir a trabalho para Lisboa, e a bagagem não aparecer. Foi despachada por engano para a Bolívia, disse a moça do SAC com naturalidade, como se fosse natural mandar a mala do cliente para outro continente. Para variar, eu estava com o dinheiro contado e sem a agradável opção de ir às compras. Passei todos os dias com a mesma calça e alternando as camisetas que o pessoal da editora me emprestava: #8220;Vinho Três Bagos”, #8220;Estive em Venda das Raparigas e Lembrei-me de ti”, #8220;Não gozes com o mal do teu vizinho que o teu já vem a caminho”.

Tem ainda o capítulo dos chatos juramentados, aqueles que a gente classifica conforme o nível de chatice: mala, mala sem alça, mala sem rodinha. falta de espaço, tal como acontece nas melhores malas, o tema fica para uma próxima viagem.

Certo é que, por maior que seja a mala, alguma coisa muito importante será esquecida. Em um verão do outro século, a família indo para Santa Catarina com o carro abarrotado de cacarecos, minha mãe esqueceu a ponte provisória que usava enquanto se preparava para um implante dentário. Estávamos quase no Mampituba. Tivemos que voltar ou ela desceria na primeira rodoviária para retornar a to Alegre. Não que a minha mãe fosse mala, ela só tinha princípios rígidos: férias sem bronzeado, sim. Sem dentes, jamais.

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O Claudia Tajes: Carregando as malas em Donna.

Fonte: Donna





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