Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ ? ]
Prelecção de Assédio. Eu estava lá. | Assuntos de Mulher | Dicas, Truques , Cabelos e Maquiagens

Prelecção de Assédio. Eu estava lá.








***editado em 13/04/2017. No final.

Último semestre da Faculdade e Rádio e TV, FAAP.

Não me lembro ao notório porquê a conversa começou. Sei que foi dentro da sala de lição do renomado professor da idade, publicado por suas entrevistas dramáticas na TV Cultura de SP, pelo sobrenome e prestígio intelectual. Porquê tal, vaidoso e auto referente o suficiente para não admitir confrontos e críticas ou debates com alunos ávidos por mudanças, crentes de suas capacidades. Os 1980 estavam começando. Zero havia que freasse a originalidade ou a vontade de viver.

Cena e Mise-en-scéne:

Sala de lição no laboratório de Rádio e TV. A classe reunida. Provavelmente o tema inicial da conversa fosse oportunidades de trabalho, colocação no mercado, possibilidades de atuação. O vaidoso e intelectual prestigiado professor fazia questão de incendiar os debates com suas observações controversas. Eu e minha amiga, irmãs coragem de sempre, não costumávamos deixar uma boa discussão de lado. Nem podíamos. Saber era uma premência. Lutar pelo que hoje é chamado empoderamento feminino, era instintivo. A resguardo do gênero, também. Não sabíamos o que era  já sendo.

“Uma Mulher Não Será Uma Profissional de Televisão se Não fizer o Teste do Sofá”.

Ele fazia questão  de baixar a cabeça para que o queixo permitisse que a longa barba se espalhasse pelo rosto numa figura de horror, usando seu tom barítono, termo por termo, arqueando as sobrancelhas sobre os óculos. Até ele expressar isso, o “teste do sofá” para as 80′s girls era uma mito. Choque. Havia mais garotas na sala do que garotos. Choque. “Porquê assim, professor?!”. Todas incomodadas, sentindo o comichão revoltado manifestando-se pelo corpo.

“Vocês vão ter que dormir com o porteiro da emissora para poder entrar, depois com o segurança para poder circunvalar, depois com um assistente qualquer para ter aproximação, e com qualquer encarregado generoso para lucrar um função de comando”.

Isso nos foi dito dentro da sala de lição de uma Universidade referência em Informação. Choque. Se era para provocar a discussão entre estudantes e assim perfurar a mente para quebra de paradigmas, não deu manifesto. Quase nunca dava patente com ele. Não havia resposta para nossos argumentos e quase sempre os debates terminavam com sua voz grave concluindo em sabedoria um “porque, sim.” E ponto.  Ele quebrou o reverência que nutríamos por ele e e por pouco não jogou no lixo os 4 anos de esforço e estudo para o ofício que havíamos escolhido porquê profissão. O burburinho começou, todas – e os meninos – indignados com aquela asseveração. “Por quê você dá aulas se não vamos usá-las?”; “O que você está fazendo cá?!”, “quem você pensa que é para definir nosso horizonte dessa forma?!”.

“Eu sou o poder. Reclamem, gritem, esperneiem. Não vai antecipar. Dos seus atributos, o que menos interessa é a inteligênca”.

A discussão generalizada, todos contra a arrogante ura do professor-renomado-intelectual-respeitado. Ele não arredava pé. Lembro que costumávamos desafiá-lo com nossa originalidade e ele não gostava. O perversão da vaidade e egocentrismo tirava-lhe o estabilidade do preceptor de opinião diante de recém saídos da juvenilidade. A discussão tomou proporções bíblicas. O sinal tocou, a lição terminara. Não importava. As vozes foram aumentando, agora no galeria, fora da sala, com ecos que invadiam todas as portas que se abriam. Os curiosos passando vagarosamente pela espaço de conflito, os interessados parando em torno da turma lutando contra o que havia sido uma ofensa. Todas as garotas da sala inconformadas.

“Quando vocês estiverem vendendo bombril na feira, vou apaixonar ir lá comprar. que vocês vão vender bombril na feira!”

O professor VIP agora gritava. Havia muitos dedos apontados para ele que não recuaria. “vou te mostrar quem vai vender bombril na feira!”; “machista, sujo!”.  Lembro pouco de uma discussão que pareceu...

perseverar horas. Mas a visão daquele galeria e a arrogância do grande varão grande – ele era enorme em largura, fundura e barba e óculos – ainda deve estar gravada na retina de muitas colegas mesmo tantas décadas depois.

Aos poucos a pequena “povaréu” foi se dispersando, desistindo, desolada, revoltada, infeliz. Ficaram duas. Eu e minha mana coragem que apontava o dedo para ele o desafiando a provar o que dizia. Prometendo que ia esfregar na rosto dele o sucesso da sua curso. A epopéia sobre “dar patente” ou não na comuniação.

Pouco sabíamos naquela idade, mas aquela “lição” misógina e sexista foi necessária.

Queríamos ser estimuladas a lutar contra o que estava incorrecto, não empurradas pela correnteza do “assim é e ponto final.” Foi uma lição sobre assédio não esquecida.

Chegou um ponto que até eu desisti. A mana coragem parecia não se resignar. Falei: “chega, não adianta, não adianta…”. O renomado e respeitado professor conseguiu transpor do cerco e entrar na sala dos professores. Nós fomos ao macróbio Pastel e ., em frente à Universidade tomar um caldo de cana para acalmar. E discutir. E prometer que não faríamos tal coisa. Que venceríamos pela capacidade e força de trabalho. E assim, foi.  Difícil. Dificílimo. A cada dez anos trabalhados, um degrau. Um projeto de resistência contra as investidas, as promessas, as cantadas e piadas. O trabalho triplicado nos transformou em necessárias. Corretas, éticas. Conosco, a “coisa” saía. Não tínhamos rabo recluso, pavor, nem casos amorosos com superiores que não nos permitissem questionar. Mas vimos tudo isso. E continuamos trabalhando firmes, fortes, focadas. Foi preciso uma vida inteira de trabalho difícil para provar que poderíamos vencer sem dar para o porteiro, o segurança, o assistente, o diretor…

Essa história não teria relevância sem o caso José Meyer

Décadas comentando o objecto, vendo colegas de trabalho ascendendo vertiginosamente, outras despencando inexplicavelmente. Assuntos proibidos falados a boca pequena.  A ensino e cultura mudaram pouco. E o que mudou parece em retrocesso. Não se iludam. O tipo de assédio relatado pela figurinista da Rede Mundo é a ponta de um iceberg tão gelado quanto a consciência de quem comanda a coisa toda.  Só o voto e a união tem a força para mudanças reais. Que o caso José Meyer tenha sido um passo importante. nossas filhas.

 *EDIT (13/04/2017)

São tantos os canais de divulgação e redes sociais que não espero mais comentários cá, salvo anônimos e  leitores descuidados do qual prazer de partilhar conhecimento e vida ainda não tive. As respostas aos meus s quase em sua totalidade vêm no Facebook, twitter, linkedin.  No problem. O importante é que nossa emoção sobreviva.  O roupa é que algumas colegas presentes nesse incidente responderam via Facebook, de ei o link para divulgação. Uma delas (mana, é preciso coragem!) lembrou de um veste sexista extremamente importante dessa discussão. Outra, colaborou com a formação do perfil ególatra, auto e auto referente com outra presente. Subtraí os nomes e os perfís porque não pedi autorização. Creio que não haverá problemas, mesmo assim, desde aquela era aprendemos que reverência é bom e todo o mundo gosta. Eis:

272a9  memory1 Prelecção de Assédio. Eu estava lá.

 

7ffe5  memory2 Prelecção de Assédio. Eu estava lá.

&nbsp
&nbsp

Manadeira: Carmen Farão





Comente

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>