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Claudia Tajes: “Não tenho mais bichos, só as lembranças deles, todas da mais alta estimação”Assuntos de Mulher | Dicas, Truques , Cabelos e Maquiagens | Assuntos de Mulher | Dicas, Truques , Cabelos e Maquiagens

Claudia Tajes: “Não tenho mais bichos, só as lembranças deles, todas da mais alta estimação”





Um casal de amigos acolheu e viveu por 12 anos com uma cachorrinha, a Maria, que morreu na semana passada. Os dois filhos dos meus amigos nasceram e cresceram com a Maria por perto. Coube aos pais explicar às crianças que a Maria havia ido para o céu dos cachorrinhos – se os passarinhos têm o deles, como no poema de Manuel Bandeira, ela também tem direito.

A perda da Maria me lembrou dos bichos da minha família, muitos desde que o apartamento no bairro Floresta foi trocado por uma casa em Ipanema. O , o boxer Barnaby, veio com esse nome e mais uns tantos sobrenomes do canil, mas só era chamado pelo apelido: Babinho. Um bicho marrom lindo, a doçura em pessoa, ou o equivalente canino dessa expressão. Morreu em decorrência de algumas doenças e de um atropelamento. O degenerado que passou por cima dele na nossa rua de paralelepípedos seguiu em seu rally sem olhar para trás.

Foto: Pexels

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O segundo foi o Jimmy, um schnauzer cinza que era o amor da minha mãe. Jiminho para os íntimos, apesar do pedigree, tinha um coração vagabundo. Escapava pelas grades do portão e passava o dia para lá e para cá com sua turma de cachorros. Às vezes, quando nos via no pátio, entrava para um afago rápido – no caso, ele nos afagava. Quando se transformava em uma bola de pelos emaranhados e imundos, era conduzido coercitivamente para o banho e a tosa. Morreu por amor, em uma briga por uma cachorrinha no cio. Coerente com a biografia de sedutor dele. Até hoje nos faz falta.

Junto com eles, os gatos. A Samanta, uma gatinha preta e arisca que na nossa porta, nunca gostou de mim. Devia ver coisas que os humanos não percebiam. Na primeira cria, teve duas filhotes, a lma e a Louise. Uma delas virou a mãe do Herbert, assim chamado por causa de um guri de quem minha irmã gostava. Nessa época, eram tantos bichos pretos dentro de casa que eu não sabia direito quem era quem. Bem verdade que já andava envolvida com os meus próprios gatos, os de duas pernas, e não dava muito bola para os nossos felinos.

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Foto: Pexels

Nesse meio-tempo, meu pai encasquetou que queria um bull terrier e o Fagundes se juntou à trupe. Era imenso, forte, temperamental. Eu morria de medo dele, e o Fagundes sabia. Pulava no meu colo com os seus, sei lá, 40 quilos de músculos, e ficava me encarando. Um dia, meu pai foi defender o gato Herbert de um ataque do cachorro e levou uma mordida que quase lhe atorou o pé. O Fagundes que, embora não parecesse, frequentava uma escolinha, foi embora para o sítio do adestrador.

Veio o neto, e meu pai, sempre ele, não pensou em comprar um moisés: deu para o recém-nascido uma filhotinha de boxer chamada Zabumba. O velho gostava de nomes exóticos. A Bumba – para os íntimos – foi a melhor companheira que um bebê poderia querer. Ambos com um ano de idade, mais pareciam o menino e seu pônei. Ele, uma bola. Ela, imponente e atlética.

Então meus pais mudaram de casa, e a lma e a Louise não se adaptaram. Procuramos pelo bairro inteiro e no endereço antigo, mas as duas tinham desaparecido. O Herbert sumiu quando meu pai morreu.

A mãe perguntou por quanto tempo as três velhinhas, ela, a Samanta e a Bumba, ainda resistiriam. Respondemos: que bobagem, vocês vão viver para sempre. Todas nos desmentiram rapidinho. Quase sem pelos, magérrima e tão rabugenta como na juventude, a gata foi a primeira a morrer, seguida de perto por sua dona. A Bumba se acomodou no apartamento em que meu filho e eu morávamos, com pouco espaço, mas espaçosa, ora esticada entre a máquina de lavar e o tanque, ora espraiada no tapete da sala. Pena que só por poucos meses.

Agora não tenho mais bichos, só as lembranças deles. Todas, e cada uma, da mais alta estimação.

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O Claudia Tajes: #8220;Não tenho mais bichos, só as lembranças deles, todas da mais alta estimação” em Donna.

Fonte: Donna




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